Chefe do Pentágono defende retirada das tropas do Iraque
WASHINGTON — O chefe do Pentágono, Leon Panetta, defendeu nesta terça-feira a retirada das tropas americanas do Iraque no próximo mês, diante das duras críticas de alguns legisladores, dizendo que os Estados Unidos precisam aceitar que o Iraque era um Estado soberano.
Durante uma tensa audiência na comissão de Defesa do Senado centrada na retirada das forças americanas do Iraque, Panetta afirmou que os Estados Unidos tentaram alcançar um acordo para manter um pequeno contingente de tropas neste país após o fim do ano, mas as negociações se chocaram com a questão da "imunidade legal" para os soldados americanos.
Em resposta ao republicano John McCain, que acusa o presidente Barack Obama de abandonar o Iraque, Panetta disse que os Estados Unidos não podem simplesmente decidir o que querem sobre o Iraque.
"Eram negociações com um país soberano", afirmou. "Não se tratava de que nós lhes disséssemos o que iríamos fazer".
Embora o governo iraquiano estivesse disposto a adotar as proteções legais, os Estados Unidos exigiam que o Parlamento ratificasse as garantias, mas isso resultou ser muito difícil, explicou Panetta.
"Eu não ia ter nossas tropas ali... sem as imunidades", disse.
Panetta disse acreditar que o Iraque conseguirá lidar com a questão da segurança e com a influência do vizinho Irã.
Mais cedo durante a mesma audiência, o chefe do Estado-Maior conjunto, general Martin Dempsey, manifestou sua preocupação pelo futuro do Iraque depois da retirada das tropas.
"Antecipando-me à pergunta sobre se estou preocupado pelo futuro do Iraque, a resposta é sim", disse Dempsey diante dos senadores.
Apesar disso, Dempsey disse estar de acordo com a decisão do presidente Obama de retirar o total das tropas diante da negativa do Iraque de dar imunidade legal
Ministros da Defesa da África Oriental determinados a combater Al-Shabaab
Addis-Abeba - Os ministros da Defesa da África Oriental lançaram um apelo terça-feira à elaboração de uma abordagem global, visando combater os terroristas e os piratas na Somália, bem como a apoiar a operação militar queniana contra o movimento islamita Al Shabaab, noticia hoje (quarta-feira) a PANA.
A União Africana (UA) convocou uma reunião dos países fornecedores de tropas na Somália, dos quais o Burundi, Djibouti, a Etiópia, o Quénia, a Somália e o Uganda, para analisar a situação política, de segurança e humanitária na Somália.
A reunião dos ministros da Defesa segue-se à dos chefes do estado-maior das Forças Armadas ocorrida de 5 a 12 de Novembro de 2011, indica o Departamento de Paz e Segurança da UA.
O comissário da UA para a Paz e Segurança, Ramtane Lamamra, presidiu as discussões em que também participou uma alta funcionária das Nações Unidas encarregada da manutenção da paz, Susan Malcora, para discutir os meios de consolidar a paz e a segurança na Somália.
Os ministros da Defesa declararam que progressos positivos foram registados na Somália, dos quais a assinatura do Acordo de Kampala que estipula meios para pôr termo ao actual Governo Federal de Transição (TFG) e organizar eleições em Agosto de 2012.
"A reunião sublinhou o seu apoio aos esforços da UA para restaurar a segurança na Somália e facilitar a implementação do roteiro político que vai inaugurar um novo processo político em Agosto", disse a UA num comunicado.
Os ministros da Defesa saudaram a operação militar queniana em curso contra o Al Shabaab e consideram-na de "avanço positivo" que enfraqueceu eventualmente o grupo militante no sul e no sudeste da Somália.

____________________________________________________
Governo egípcio apresentou demissão após manifestações violentas
O Governo interino do Egipto apresentou a demissão ao Conselho Supremo das Forças Armadas, depois de violentos confrontos na Praça Tahrir do Cairo entre a polícia e os manifestantes que apelam à saída da junta militar que governa o país desde o derrube de Hosni Mubarak.
O pedido de demissão foi confirmado pelo porta-voz do Governo, Mohamed Hegazy. “Considerando as circunstâncias difíceis que o país atravessa neste período, o Governo continuará a cumprir os seus deveres até que seja tomada uma decisão sobre a demissão”, disse à agência noticiosa MENA. Essa decisão deverá ser anunciada em breve pelo Conselho Supremo das Forças Armadas.
Os egípcios enfrentaram nesta segunda-feira pelo terceiro dia as forças da autoridade na emblemática Praça Tahrir, no Cairo, reclamando o afastamento do marechal Hussein Tantaoui, líder da junta militar que governa o país desde o afastamento do Presidente Hosni Mubarak.
Pelo menos 33 pessoas morreram nos violentos confrontos com a polícia, avança a Reuters – ou 22, segundo a AFP. Os feridos chegarão a 1250. A agência noticiosa francesa relata que os confrontos na praça Tahrir – situada no centro da capital e o principal palco dos protestos – não cessaram durante a noite e prosseguem durante o dia, com as forças policiais a dispararem gás lacrimogéneo.
Os manifestantes exigem o fim do poder militar, criticando principalmente o Conselho Supremo das Forças Armadas. Os generais, por seu lado, responsabilizam “bandidos” pela violência que tomou conta da praça, palco das grandes manifestações que ajudaram a depor o ex-Presidente Hosni Mubarak.
“Depusemos Mubarak, mas o seu regime e a junta militar ainda lá estão”, afirma Hossam el-Hamalawy, um militante de esquerda, que está na Praça Tahrir. “O que está a acontecer é a continuação da revolução”, explica este membro dos Revolucionários Socialistas ao repórter da AFP. As manifestações, no entanto, não atingiram as dimensões gigantescas do início do ano, quando levaram à queda de Mubarak.
Mas, após três dias de manifestações, os generais que governam o Egipto desde a queda de Mubarak anunciaram nesta segunda-feira uma nova lei que proíbe alguém que seja considerado culpado de corrupção de participar na vida política. Os manifestantes dizem que isso não basta para responder ao seu temor de que aliados do Presidente Mubarak continuem a ter influência, diz a Reuters.
“Este é um gesto sem significado da junta militar. Na verdade é uma bofetada para os manifestantes que morreram para conquistar liberdade e respeito”, disse o activista Mohamed Fahmy.
“O povo quer executar o marechal”, gritam desde há três dias aos manifestantes reunidos na praça Tahrir. “O poder deve ser transmitido aos civis”, afirmou Mohammad Anwar, de 31 anos, citado pela AFP.
Os tumultos ocorrem a poucos dias das legislativas que, oficialmente, continuam marcadas para o próximo dia 28. Isto apesar de alguns partidos políticos já terem suspendido a campanha. O acto eleitoral é o primeiro desde a queda de Mubarak.
| "Pelo terceiro dia consecutivo, houve confrontos na Praça Tahrir" ____________________________________________________ |
