Economia

África Oriental


Ministros da Defesa da África Oriental determinados a combater Al-Shabaab 

Addis-Abeba - Os ministros da Defesa da África Oriental lançaram um apelo terça-feira à elaboração de uma abordagem global, visando combater os terroristas e os piratas na Somália, bem como a apoiar a operação militar queniana contra o movimento islamita Al Shabaab, noticia hoje (quarta-feira) a PANA.

A União Africana (UA) convocou uma reunião dos países fornecedores de tropas na Somália, dos quais o Burundi, Djibouti, a Etiópia, o Quénia, a Somália e o Uganda, para analisar a situação política, de segurança e humanitária na Somália.

A reunião dos ministros da Defesa segue-se à dos chefes do estado-maior das Forças Armadas ocorrida de 5 a 12 de Novembro de 2011, indica o Departamento de Paz e Segurança da UA.

O comissário da UA para a Paz e Segurança, Ramtane Lamamra, presidiu as discussões em que também participou uma alta funcionária das Nações Unidas encarregada da manutenção da paz, Susan Malcora, para discutir os meios de consolidar a paz e a segurança na Somália.

Os ministros da Defesa declararam que progressos positivos foram registados na Somália, dos quais a assinatura do Acordo de Kampala que estipula meios para pôr termo ao actual Governo Federal de Transição (TFG) e organizar eleições em Agosto de 2012.

"A reunião sublinhou o seu apoio aos esforços da UA para restaurar a segurança na Somália e facilitar a implementação do roteiro político que vai inaugurar um novo processo político em Agosto", disse a UA num comunicado.

Os ministros da Defesa saudaram a operação militar queniana em curso contra o Al Shabaab e consideram-na de "avanço positivo" que enfraqueceu eventualmente o grupo militante no sul e no sudeste da Somália.
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Brasil

Brasil crescerá em ritmo menor que o dos emergentes
A notícia boa é que o Brasil tem conseguido manter o crescimento, enquanto outros países, como os da Europa, estão estagnados ou até em recessão. O Brasil está melhor do que eles. Também está melhor do que os EUA que, na melhor das hipóteses, crescerão 2%. Mas está crescendo menos do que outros países emergentes, como China e Índia.
Como avançou 7,5% no ano passado, ficou próximo do nível deles, mas este ano está crescendo bem menos. Isso significa em parte que foi atingido pela crise.
Num ambiente de tanta deterioração externa, o Brasil está mantendo o crescimento. É preocupante crescer 3% e não saber, no meio de Novembro, se vai conseguir trazer a inflação para 6,5%, considerada alta em qualquer país.
Logo no começo de 2012 haverá elevação do salário mínimo, que gera mais renda, consumo, aumento de impostos, mas também eleva o custo do governo com as aposentadoria e tem impacto na inflação de serviços.

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aliança estratégica

PM português realça aliança estratégica com Angola

Luanda - O primeiro-ministro de Portugal, Pedro Passos Coelho, afirmou hoje (quinta-feira) que o seu país tem tudo a ganhar ao dar um impulso grande a aliança estratégica com Angola, no quadro da cooperação económica entre os dois países.
Segundo Pedro Passos Coelho, que falava no encontro empresarial Angola-Portugal, no Centro Cultural Português, em Luanda, essa relação, na qual incluiu o Brasil, pode catapultar os países membros da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) para mercados regionais mais alargados.
" E foi esse o pano de fundo que me trouxe a Luanda", disse, ao mesmo tempo que reconheceu ter sido "uma visita relativamente curta, mas essencial por permitir que as entidades dos dois países se conhecessem directamente".

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Pentágono

Chefe do Pentágono defende retirada das tropas do Iraque
WASHINGTON — O chefe do Pentágono, Leon Panetta, defendeu nesta terça-feira a retirada das tropas americanas do Iraque no próximo mês, diante das duras críticas de alguns legisladores, dizendo que os Estados Unidos precisam aceitar que o Iraque era um Estado soberano.
Durante uma tensa audiência na comissão de Defesa do Senado centrada na retirada das forças americanas do Iraque, Panetta afirmou que os Estados Unidos tentaram alcançar um acordo para manter um pequeno contingente de tropas neste país após o fim do ano, mas as negociações se chocaram com a questão da "imunidade legal" para os soldados americanos.
Em resposta ao republicano John McCain, que acusa o presidente Barack Obama de abandonar o Iraque, Panetta disse que os Estados Unidos não podem simplesmente decidir o que querem sobre o Iraque.
"Eram negociações com um país soberano", afirmou. "Não se tratava de que nós lhes disséssemos o que iríamos fazer".
Embora o governo iraquiano estivesse disposto a adotar as proteções legais, os Estados Unidos exigiam que o Parlamento ratificasse as garantias, mas isso resultou ser muito difícil, explicou Panetta.
"Eu não ia ter nossas tropas ali... sem as imunidades", disse.
Panetta disse acreditar que o Iraque conseguirá lidar com a questão da segurança e com a influência do vizinho Irã.
Mais cedo durante a mesma audiência, o chefe do Estado-Maior conjunto, general Martin Dempsey, manifestou sua preocupação pelo futuro do Iraque depois da retirada das tropas.
"Antecipando-me à pergunta sobre se estou preocupado pelo futuro do Iraque, a resposta é sim", disse Dempsey diante dos senadores.
Apesar disso, Dempsey disse estar de acordo com a decisão do presidente Obama de retirar o total das tropas diante da negativa do Iraque de dar imunidade legal


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Crise de fome

Crise de fome no Chifre da África afeta 13,3 milhões de pessoas
O novo cálculo aponta que 146 mil pessoas precisam receber alimentos em Djibuti, 4 milhões na Somália e 4,3 milhões no Quênia, das quais 560 mil são refugiados .
Já chega a 13,3 milhões o número de vítimas da crise de fome no Chifre da África, de acordo com a última avaliação das necessidades humanitárias na Somália e no Quênia, revelou nesta sexta-feira o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários.
Sete semanas após a ONU ter anunciado o estado da crise de fome na região do Chifre da África, 900 mil vítimas da crise se juntaram aos 12,4 milhões inicialmente afetados pela falta de alimentos, principalmente na Somália.
O novo cálculo aponta que 146 mil pessoas precisam receber alimentos em Djibuti, 4 milhões na Somália e 4,3 milhões no Quênia, das quais 560 mil são refugiados (482 mil somalis e os demais de outras nacionalidades).
A avaliação revelou também que 4,8 milhões de pessoas precisam de ajuda urgente na Etiópia, sendo 181 mil refugiados somalis e 80 mil de outros países.
No total, os refugiados são 841 mil das 13,3 milhões pessoas atingidas nessa região africana.
"A situação piora conforme a crise avança para Bay, no sul da Somália, a sexta região afetada", alertou em entrevista coletiva a porta-voz da instituição, Elisabeth Byrs.
A porta-voz da ONU em Genebra, Corinne Momal-Vanian, antecipou que é provável que "nas próximas semanas a crise alcance outras regiões".
Outro dado alarmante foi divulgado por uma porta-voz do Fundo da ONU para a Infância (Unicef), que declarou que de 2,3 milhões de crianças entre 5 e 17 anos que vivem nas regiões central e sul da Somália, 78% não frequentam escola, seja porque estão desalojadas ou pela insegurança.


Pequim, 15 nov (EFE).- Um comitê de intelectuais chineses anunciou nesta terça-feira que dará ao primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, o Confúcio da Paz, condecoração criada ano passado em resposta ao Prêmio Nobel concedido ao escritor e dissidente chinês Liu Xiaobo.

Segundo o comitê, Putin mereceu o prêmio por sua 'sua posição pacífica contra o bombardeio na Líbia', destacou o semanário 'China Newsweek'.

A notícia foi surpreendente, já que em setembro o Ministério da Cultura chinês anunciou que o prêmio seria cancelado pois seus organizadores não tinham autorização para promovê-lo.

Para driblar a restrição, Os criadores do Confúcio da Paz registraram o prêmio em Hong Kong.

O comitê, formado por 16 acadêmicos de vários centros de estudo chineses, elegeu Putin entre oito candidatos, como por exemplo a chanceler alemã, Angela Merkel, o presidente da África do Sul, Jacob Zuma, e o ex-secretário da ONU Kofi Annan.

A primeira edição do Prêmio Confúcio, anunciado em 2010, foi dado ao ex-líder taiuanês Lien Chan, que não quis comparecer à cerimônia de entrega.










Um de seus organizadores, o professor Yang Disheng, disse no mês passado à Agência Efe que o prêmio foi criado em protesto pela concessão do Nobel ao dissidente Liu Xiaobo, mas que ao mesmo tempo nasceu 'para mostrar que a China tem outro conceito de paz'. A cerimônia de entrega acontecerá em 9 de dezembro, exatamente um dia antes da premiação do Nobel da Paz. EFE


Confúcio da Paz


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liderança das Farc


Em foto de maio de 2000, Cano conversa com a imprensa sobre as negociações de paz entre o governo e as Farc no sul da Colômbia. Foto: AP
Bogotá, 15 nov (EFE).- O cardiologista Rodrigo Londoño Echeverry, conhecido como 'Timochenko', tem 30 anos de experiência nas fileiras das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e se tornou o máximo comandante da guerrilha em substituição de 'Alfonso Cano', morto no último dia 4 durante uma operação do Exército.
Os analistas concordam que o guerrilheiro, também conhecido como 'Timoléon Jiménez', tem um perfil mais militar que 'Cano' por seu treinamento na antiga Iugoslávia, enquanto o ex-líder era antropólogo, considerado um intelectual.
O novo chefe da principal guerrilha colombiana, que com quase 50 anos de história é a mais antiga da América, ingressou nas Farc em 1982, após retornar da Europa.
Segundo os serviços de inteligência, 'Timochenko' nasceu em 22 de janeiro de 1959 na cidade de Calarcá, no departamento de Quindío, situado na região do Eixo Cafeicultor colombiano.
Seu povoado fica muito perto de Génova, cidade natal do fundador das Farc, Pedro Antonio Marín, conhecido como 'Manuel Marulanda Vélez' e também como 'Tirofijo', que morreu de infarto em março de 2008.
Estudou Medicina e Cardiologia na Universidade Patrício Lumumba, em Moscou, ampliou seus estudos em Cuba, recebeu treinamento militar na Iugoslávia do então marechal Tito e é considerado o chefe de inteligência e contra-inteligência das Farc.
'Timochenko' planejou a resistência militar nos anos em que ocorreu o grande avance paramilitar na Colômbia, na década de 1990 e início do novo milênio, destaca o analista Ariel Ávila, coordenador do Observatório de Conflito da ONG Corporación Nuevo Arco Iris.
Depois, foi responsável por implantar o plano de ação atual. As Farc passaram da guerra de movimentos à guerra de guerrilhas, à região do Norte de Santander - que faz fronteira com a Venezuela -, devido à campanha de investidas da Polícia, retornando assim ao estilo de confronto dos anos 1980.
Os cenários de ação de 'Timochenko' se concentraram nos últimos anos na serra de Perijá, na zona fronteiriça entre Colômbia e Venezuela.
Antes tinha sido comandante na região de Magdalena Medio, um dos redutos das Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC), grupo de paramilitares que semeou o terror no país durante anos e que se desmobilizaram entre 2003 e 2006 em processo de paz.
Essas tarefas levaram-no a ter 'muita força e prestígio entre as bases guerrilheiras', acrescenta Ávila, para quem esta foi, além disso, uma das características que diferenciavam 'Timochenko' de 'Alfonso Cano'.
A proximidade de 'Timochenko' com 'Tirofijo' tornou-se evidente quando o fundador da guerrilha morreu em 2008 e o agora chefe máximo das Farc revelou essa notícia através de um vídeo no qual apareceu com uma toalha verde no pescoço, a mesma que o líder histórico utilizava.
Os antecedentes criminais do novo chefe registram 117 mandados de prisão por terrorismo, sequestro, rebelião, homicídio qualificado e desaparecimento forçado, além de estar em uma circular vermelha da Interpol (Polícia internacional). O governo colombiano oferece por uma recompensa milionária por ele, equivalente a cerca de US$ 5 milhões.
Junto a outros membros do Secretariado das Farc, ele foi condenado à revelia pelo sequestro do ex-governador do departamento de Meta Alan Jara (2001), pelo ataque a Mitú, capital do departamento de Vichada (1998) e pelo atentado ao Clube El Nogal de Bogotá, em 2003.
Essas ações guerrilheiras foram algumas das mais famosas das Farc. Em Mitú, mais de 60 policiais e soldados foram sequestrados e no Clube El Nogal, 32 pessoas morreram e quase 200 foram feridas.
Analistas indicavam que 'Alfonso Cano' seria sucedido por 'Timochenko' ou por 'Ivan Márquez', este último com um perfil ainda mais militar.
O Secretariado-Maior das Farc decidiu, por fim, por um médico formado na antiga União Soviética, treinado militarmente na Iugoslávia de Tito e transformado em um grande estrategista durante seus 30 anos de luta armada. EFE.



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Itália: Monti nomeado hoje formalmente primeiro-ministro

ex-comissário europeu Mário Monti reúne-se hoje com o Presidente italiano, Giorgio Napolitano, para aceitar oficialmente o cargo de primeiro-ministro.
Mário Monti disse na terça-feira que está "sereno e convencido de que a Itália será capaz de ultrapassar a fase difícil que atravessa" e confirmou estar em condições de apresentar o seu programa a Giorgio Napolitano.
Durante o encontro, Mário Monti irá "levantar a reserva", uma fórmula institucional que determina que a figura indigitada pelo chefe de Estado para formar Governo aceita oficialmente o cargo de primeiro-ministro.
Monti foi encarregado de formar governo pelo Presidente italiano, no domingo passado.
Monti foi convocado depois de Napolitano ter concluído as consultas com os partidos com representação parlamentar, os presidentes do Senado e da Câmara dos Deputados e ex-presidentes da República, para encontrar uma solução para a crise aberta com a demissão, sábado, de Silvio Berlusconi.


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Desemprego regressou para 12,4% o máximo registado no país


A taxa de desemprego em Portugal subiu para 12,4% da população activa no terceiro trimestre, elevando para quase 700 mil o número oficial de desempregados, revelou hoje o INE.
Este valor representa uma subida de três décimas face aos 12,1% registados para o segundo trimestre (quando houve uma descida), e um regresso ao máximo histórico de 12,4% registado para a taxa de desemprego em Portugal entre Janeiro e Março.
Trata-se da taxa mais elevada desde que o INE acompanha o desemprego (segundo trimestre de 1983), quer desde que há registo nas séries longas do Banco de Portugal, que no caso do desemprego remonta a 1953 e utiliza um conceito mais lato que o actual.
Estes dados resultam do Inquérito ao Emprego do INE, cujos resultados revelam também uma descida de 0,4% da população activa em Portugal, a par de uma diminuição de 0,8% do número de empregados. A população desempregada aumentou 2,2%.



A AMI tem como visão, um mundo sem desigualdades e sofrimento, tendo o Homem no centro das suas preocupações e um mundo mais sustentável, mais harmonioso, mais inclusivo, menos intolerante, menos indiferente, menos violento.
Por isso, a sua actuação assenta hoje em quatro pilares: Assistência Médica, Acção Social, Ambiente e Alertar Consciências, tendo por Missão levar ajuda humanitária e promover o desenvolvimento humano, tendo em conta os Direitos Humanos e os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, nas áreas da saúde, social e ambiental, em qualquer parte do mundo, independentemente de raça, idade, género, nacionalidade, política, religião, filosofia ou posição social, olhando para cada pessoa como um ser único, insubstituível, digno de atenção e cuidado.

A nível internacional, a AMI procura adequar a sua intervenção às características e necessidades do contexto, assumindo para tal uma intervenção faseada, tendo sempre como fim último, a sustentabilidade do processo de desenvolvimento.



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Com esse fim, a AMI leva a cabo três tipos de intervenções:

- Missões de Emergência: Realizadas em situações em que se justifique o envio de recursos humanos expatriados e materiais como resposta a crises naturais ou humanas. Estas intervenções implicam a elaboração e implementação de projectos, preferencialmente na área da saúde, implicando um envolvimento de toda a estrutura da AMI.

- Missões de Desenvolvimento: À semelhança das Missões de Emergência, são intervenções com um projecto centrado na área da saúde e que fazem uso dos recursos da organização, mas com um contexto diferente. Nestes casos, é o da Cooperação para o Desenvolvimento. Estas intervenções, que incluem o envio de pessoal expatriado, decorrem em países onde Estado e o Terceiro Sector do país apresentam dificuldades em desenvolver uma intervenção que abranja todo o território nacional, optando a AMI por localizar-se em áreas que ainda não estão cobertas ao nível dos cuidados de saúde primários.
- Micro-projectos: Consistem no financiamento e acompanhamento a projectos elaborados e implementados por organizações locais de países em desenvolvimento. Este tipo de intervenção pode surgir em contextos de Acção Humanitária ou de Cooperação para o Desenvolvimento, sempre que existam estruturas e recursos humanos locais que possam dar respostas às necessidades identificadas. Os projectos apoiados abrangem áreas como a saúde, a educação, a segurança alimentar, a criação de actividades geradoras de rendimento, entre outras.

Após o fecho de algumas das suas missões de emergência e de desenvolvimento, a AMI tende a manter a sua presença no terreno, através desta última vertente, financiando “micro-projectos”. Foi o que aconteceu em Angola, após o fecho da missão em 2008; em Timor, após a saída da equipa em 2006; em Cabo Verde, a partir de 2011; no Haiti, desde Março 2011, entre outros.



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DIVISÃO DA EUROPA
Vozes institucionais erguem-se contra "divisão" da Europa

hipótese de um bloco da moeda única limitado a países com robustez financeira, sob a batuta de franceses e alemães, é vista como “uma estupidez” pelo presidente do Eurogrupo e avaliada pelo Executivo comunitário de Durão Barroso como uma semente da fratura de toda a União Europeia. Em Lisboa, Jean-Claude Juncker declarou-se esta quinta-feira “alérgico” a qualquer “divisão”. Em Paris e Berlim, a ordem é para negar tudo. Mesmo que diferentes fontes comunitárias garantam que a discussão tem decorrido “a todos os níveis”.
Confrontado com as notícias de uma aparente investida franco-alemã para a institucionalização de uma Europa “a duas velocidades”, o primeiro-ministro luxemburguês, Jean-Claude Juncker, não escondeu a irritação: “Eu sou alérgico a essa estupidez que visa trazer a divisão ao centro do euro”.

“O euro é um grupo sólido, aberto aos outros. Tem os seus critérios. Eu não quero que o euro se divida numa região norte, digamos virtuosa, e outra sul, digamos menos virtuosa. Não há Europa sem Portugal. Não há euro sem Portugal. Não se deixem impressionar por propostas estúpidas”, reagiu o presidente do Eurogrupo após um encontro com a presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves. “Tais propostas”, continuou Juncker, “estão longe de ser europeias”.

Em Bruxelas, a porta-voz da Comissão Europeia Pia Ahrenkilde Hansen apoiou-se em palavras de Durão Barroso para reafirmar que “é importante não aceitar divisões na União”. “Um abrandamento da integração mais profunda da Zona Euro também não é uma opção, dadas as dificuldades que enfrentamos. Mas este é um processo aberto, não um processo exclusivo”, frisou.

Na véspera, ao discursar numa conferência em Berlim, o presidente da Comissão Europeia gizara uma resposta aos partidários de uma Europa governada a partir de França e Alemanha, condenando antecipadamente a oficialização de uma “espécie de diretório”. Defendendo o alargamento do euro a toda a União, o antigo primeiro-ministro português tornou a advogar que as atuais estruturais supranacionais constituem “o melhor garante pelo respeito dos princípios acordados”. E apresentou contas: um emagrecimento da Zona Euro poderia significar uma quebra de três por cento no Produto Interno Bruto alemão e a perda de um milhão de postos de trabalho.

“Estabilizar a Zona Euro na forma atual”
A chanceler alemã veio entretanto a público para conter as ondas de choque causadas pelas notícias das últimas horas. No termo de uma reunião, em Berlim, com o Presidente romeno Traian Basescu, Angela Merkel quis asseverar que persegue apenas “um objetivo”, que passa por “estabilizar a Zona Euro na forma atual”. “O que é possível, se houve esforços suficientes no que respeita às reformas”, acrescentou.

Horas antes, um porta-voz do Executivo alemão havia já ensaiado um desmentido. Steffen Seibert escreveu no Twitter que eram “falsas” as notícias “segundo as quais a Alemanha mantém planos para uma Zona Euro de dimensão reduzida”. Uma posição repercutida pelo Ministério francês das Finanças.

Com base em diferentes fontes comunitárias, a agência Reuters noticiou na quarta-feira que a hipótese de uma Zona Euro mais integrada e com menos países, a progredir na dianteira do conjunto da União Europeia, estaria a ser discutida por franceses e alemães numa dimensão “intelectual”. A coberto do anonimato, um alto responsável da União disse mesmo que “França e Alemanha têm mantido consultas intensas ao longo dos últimos meses” e “a todos os níveis”.

A possível constituição de um “núcleo duro” no seio da União Europeia merece também destaque na última edição do diário espanhol El País. A partir de “fontes conhecedoras das conversações”, o jornal indica que o processo estará a ser conduzido por “altos funcionários e peritos dos governos de Nicolas Sarkozy e Angela Merkel. A iniciativa, adianta ainda a publicação, terá já envolvido discussões ao mais alto nível “com os países mais próximos da área do antigo marco e do Benelux”.

A corrente do “núcleo duro” foi consubstanciada pelo próprio Presidente francês, que, na terça-feira, diante de um grupo de estudantes em Estrasburgo, sustentou que a “Europa a duas velocidades”, com uma Zona Euro mais célere e mais integrada do que o conjunto dos 27, seria “o único modelo possível” para o futuro.

“Construção europeia é ainda imperfeita”
Na capital portuguesa, a prevalência de um diretório franco-alemão na Europa comunitária ocupou esta quarta-feira boa parte do debate parlamentar na generalidade da proposta de Orçamento do Estado para 2012. Para instar Pedro Passos Coelho a pronunciar-se sobre o momento atual da União Europeia, o coordenador da Comissão Política do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, sublinhou que “a Itália está a cair, o euro está à beira de um risco de desagregação e há dois governantes europeus, Merkel e Sarkozy, que confidenciam entre si e em público a criação de um novo Muro de Berlim para excluir uma parte da Europa”.

“Concordo consigo, a indefinição na Europa é hoje preocupante", retorquiu o primeiro-ministro, para logo se escusar a “especular”. “O que se está a passar na Europa é preocupante e o risco sistémico que se está a evidenciar a cada mês que passa de forma mais perigosa tem de nos dar muita humildade na maneira como nos expressamos publicamente. Como primeiro-ministro, não devo especular nem fazer de analista político sobre o que se passa na Europa e, portanto, não farei esse exercício, não estou em condições de fazer esse exercício”, argumentou.

Já o social-democrata Paulo Mota Pinto quis ouvir de Passos Coelho uma leitura do “evoluir da situação europeia, designadamente quanto às respostas à crise” e a uma eventual “reformulação” do Banco Central Europeu. Nas palavras do deputado do PSD, “é claro que o método comunitário tem sido prejudicado por um intergovernamentalismo e um diretório que tem aparecido como um diktat de um ou dois países”.

Questionado sobre se “o intergovernamentalismo excessivo pode ou não pode pôr em causa o método comunitário e o aprofundamento da União Europeia”, o primeiro-ministro respondeu de forma afirmativa: “Pode, senhor deputado, pode com certeza. A construção europeia que nós temos é ainda imperfeita. Nós precisamos de completar essa construção no meio da adversidade que vivemos, aprofundando uma união económica que não existe ainda e criando o aprofundamento político que passa pelo método comunitário e não por mais intergovernamentalismo e ainda menos por qualquer diretório”
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Alemanha pressiona Facebook devido a tecnologia de rastreamento

A Autoridade de Protecção de Dados (DPA) de Hamburgo, na Alemanha, publicou um relatório sobre a questão do rastreamento dos utilizadores por parte do Facebook e alega que a rede social continua a fazê-lo mesmo depois de as contas serem apagadas
De acordo com o site Computerworld, a DPA pretende que os responsáveis do Facebook respondam a várias questões levantadas pelo relatório até à próxima Segunda-feira.
Johannes Caspar, director deste organismo, citado pelo mesmo site, explica que o Facebook terá que apagar todos os dados relativos a uma pessoa assim que a conta da mesma é eliminada da rede social, uma vez que se tal não ocorrer está-se perante a violação da legislação europeia no que toca à protecção de dados e à privacidade.
O relatório incide sobre o uso de cookies por parte do Facebook, e a empresa já veio dizer que tinha prestado todos os esclarecimentos à DPA antes de ser elaborado o relatório, pelo que está desapontada com as conclusões do mesmo. Segundo a DPA o Facebook instala cookies no computador dos utilizadores, que se mantém durante muito tempo, sendo que nalguns casos chegam a estar activos durante dois anos, mesmo se as contas na rede social forem apagadas.
O Facebook alega que quando as pessoas fazem «logout» das suas contas, os cookies que permanecem activos não têm qualquer finalidade de rastreamento de dados.
A DPA tem em curso um outro processo envolvendo o Facebook. Neste caso trata-se da tecnologia de reconhecimento facial, sendo que a Autoridade pretende que os utilizadores tenham que dar o seu consentimento para a mesma poder ser usada.







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